Polícia Rodoviária Federal: próximo
concurso nacional poderá ser regionalizado
Superintendente
da PRF no Paraná fala sobre a carreira de policial e planos de expansão da
corporação em entrevista concedida ao importante site do curso aprovação.
O próximo concurso da Polícia Rodoviária Federal – PRF para o cargo de
policial rodoviário poderá ser autorizado pelo Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão- MPOG a qualquer momento. A seleção será em nível
nacional, com a oferta inicial de 340 vagas distribuídas pelos Estados de
Mato Grosso e Pará, para atuar na rodovia BR-163, que liga Cuiabá a
Santarém. O candidato que não morar em um destes dois Estados poderá fazer
a prova em qualquer cidade brasileira.
Em
2008, o órgão quer realizar seu primeiro concurso para a área
administrativa, com 1.500 vagas distribuídas por vários cargos de níveis
médio e superior, com o objetivo de substituir funcionários terceirizados. O
projeto tramita no Congresso Nacional.
Os benefícios do cargo
O cargo de policial rodoviário oferece, além da estabilidade, um
salário inicial de R$ 5.084,00, exigindo do candidato, por enquanto, somente
o nível médio; os policiais também recebem auxílio-transporte,
auxílio-alimentação de aproximadamente R$ 18,00 por plantão e benefícios,
como gratificação por desgaste físico e mental, atividade de risco,
operações especiais, auxílio-natalidade e pré-escolar, assistência à
saúde, licença prêmio por assiduidade, afastamento para casamento,
adicional por tempo de serviço, além de outros.
Aumento do efetivo
O efetivo da Polícia Rodoviária está em torno de 10 mil servidores, mas
a PRF pretende aumentar este número para 20 mil. No Paraná a PRF conta com
cerca de 630 servidores, mas para atender a demanda estadual o órgão
precisaria, no mínimo, de mil novos contratados para atender a demanda do
Estado.
Superintendência
no Paraná
O
Jornal Concurso & Carreira conversou
com a superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Paraná, Maria Alice
Nascimento Souza (foto). Maria Alice é a primeira mulher superintendente da
PRF e foi uma das pioneiras a entrar para a corporação, vencendo os
desafios, preconceitos, e conquistando cargos, até então, só ocupados por
homens. Confira aqui a entrevista.
Com
você começou na Polícia Rodoviária Federal ?
Maria Alice – “Em 1982 eu fiz o primeiro concurso público da PRF,
admitindo mulheres no Brasil. Éramos cinco mulheres apenas, mas só
conseguimos ser efetivadas dois anos após o concurso, trabalhando
internamente. Mas eu queria exercer a minha função, de policial na estrada
e, algum tempo depois, fiz um curso para motociclista. Mesmo com os obstáculos
e os preconceitos da época, consegui concluir o curso e ser a primeira mulher
motociclista da PRF no Brasil.”
Como
foi a experiência efetiva de policial na estrada?
Maria Alice – “Trabalhei como motociclista por uns dois anos, casei e fui
trabalhar em diversas regionais da PRF pelo Brasil. Em 1994, através de um
projeto de lei, foram abertas cerca de, 4.800 vagas para a PRF, visto que estávamos
entrando quase em extinção, pois éramos poucos em todo o Brasil.
Minha
missão era ficar o período integral no Congresso Nacional para acompanhar o
Projeto de Lei na Câmara e no Senado, fazendo com que o projeto andasse em
todas as comissões e fosse para o Senado e sanção presidencial, dentro de
um período de nove meses. Finalmente foi aberto concurso público com
oportunidades para as turmas de 1994 e 1995 e, o mais importante, conseguimos
preencher continuamente estas vagas e selecionar sempre mais pessoas.”
Quantos servidores têm atualmente o efetivo da Polícia Rodoviária Federal
?
Maria Alice – “Atualmente temos aproximadamente 10 mil servidores em todo
o país, mas este número não é o suficiente. Hoje nós precisaríamos, no mínimo,
de o dobro deste efetivo para atender a toda demanda da PRF, pois além de
trabalhar com o trânsito nas estradas, também atendemos às apreensões e
diversas situações que surgem nas rodovias federais que exigem um maior
quantitativo de policiais.”
Qual a defasagem de pessoal aqui no Paraná ?
Maria Alice – “Os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, por serem
estados de fronteira, são as regiões que (além do trânsito de rodovias),
mais trabalham na área de repressão na fiscalização de contrabando e
narcotráfico. Conseqüentemente precisamos de mais pessoas, pois nossas
atribuições hoje são maiores, mas quem faz esta distribuição é o
departamento nacional da PRF. Nosso efetivo operacional e administrativo aqui
no Paraná está em torno de 630 servidores. Para atender à demanda estadual
precisaríamos, no mínimo, de mil servidores.”
Como a Polícia Rodoviária está equipada para dar atendimento à população
?
Maria Alice – “Hoje a PRF já evoluiu muito nesta área. No Paraná
estamos criando uma base de operações aéreas para atender não só a parte
de patrulhamento aéreo, mas também a resgate de vítimas de acidente de trânsito,
aperfeiçoando o atendimento às vítimas de acidente de trânsito. Então
podemos observar um avanço muito grande no trabalho da PRF. Hoje temos helicópteros,
com operadores de resgate aéreo, inclusive com a primeira mulher piloto de
helicóptero na PR, comandante de aeronave de resgate.”
Qual é a rotina de um policial rodoviário ?
Maria Alice – “O trabalho de um policial rodoviário é um pouco
estressante, pois a todo o momento ele lida com contrabando, armamento ou
carro roubado, o tempo todo fiscalizando, gerando é claro um pouco de stress.
Mas o policial trabalha em regime de escala,ou seja, trabalha 24 horas e folga
72 horas, então ele consegue se desligar. Já para os servidores
administrativos fica mais difícil se desligar, especialmente aqui na
superintendência. O horário normal é de oito horas diárias, mas na
superintendência estamos aqui todos os dias e às vezes até atendendo
convites de finais de semana para representar a PRF,além da grande
responsabilidade que o cargo exige.”
Ser policial é uma carreira gratificante?
Maria Alice – “Ser policial é acima de tudo
ser servidor público, colocando o seu trabalho em benefício da sociedade.
Estamos preparando nossos policiais para que o atendimento às vítimas de trânsito
nas estradas seja o mais eficiente possível. Temos um projeto aqui dentro da
PRF que se chama atendimento de múltiplas vidas. São acidentescom diversas vítimas
acionando não só a PRF, mas também o corpo de bombeiros, siate, defesa
civil, gerando um envolvimento muito grande das instituições. O objetivo
deste treinamento é tornar o nosso policial cada vez mais eficiente nestes
treinamentos, em total sintonia com estas instituições. Vamos ter também
aqui no Paraná uma aeronave para atendimento a estas vítimas.”
A Policia Rodoviária Federal dá algum tipo de preparo psicológico para o
policial atender a esta população ?
Maria Alice – “A gente prepara este policial, neste aspecto no curso de
formação. Estamos também fundando um projeto que se chama Procerv-
“Servidor Saudável Qualidade de Vida”, um acompanhamento psicológico
psico-social, para que o policial saiba lidar com estas situações de
acidentes. Este trabalho não é apenas de um policial, mas também uma
maneira de servir ao próximo em momentos tão difíceis. Este também é o
papel do policial seja no momento de atender a um acidente ou no momento de
prender um bandido. É o papel do servidor público federal, o de servir a
sociedade.”
Existe um limite máximo de idade para fazer o concurso da PRF ?
Maria Alice – “Não existe limite máximo de idade para fazer o concurso,
mas uma das provas eliminatórias são os testes físicos e aí nós não
sabemos se este candidato ou candidata vai agüentar, porque ele vai precisar
de um bom preparo físico.”
Este concurso da PRF para o Pará e Mato Grosso será o último para o nível
médio ?
Maria Alice – “Estamos brigando por esta questão para que realmente
aconteça, porque precisamos nivelar o nosso policial, pois o salário, de R$
5.084,00, que ele ganha é de nível superior, não é de nível médio. Temos
que estar enquadrados no nível superior, este é um anseio de todos que estão
dentro da PRF. Não sabemos ainda se este concurso vai ser o último de nível
médio.”
Quais as principais reivindicações da Polícia Rodoviária Federal no
momento ?
Maria Alice – “A PRF está tentando regionalizar os concursos, em cada
estado fazendo a sua própria seleção. Este critério poderá ser adotado no
próximo concurso nacional.”
Qual as possibilidades de ascensão profissional dentro da Polícia Rodoviária
Federal ?
Maria Alice – “Inicialmente o policial rodoviário trabalha na estrada, no
mínimo, dois anos, em estágio probatório atingindo em seguida a
estabilidade e ao longo de sua carreira este servidor terá vários cursos de
capacitação que poderá lhe dar ascensão para outras funções.”
Qual a mensagem que você deixaria para este pessoal que está se
preparando para o concurso da PRF para os estados do Pará e Mato Grosso
?
Maria Alice – “Primeiro que estude bastante, porque a concorrência é
muito grande. Não leve só a questão salarial e estabilidade como objetivo
principal e veja se você tem um perfil para ser um policial, ter em mente que
você é um servidor público e que o seu trabalho deve estar voltado para a
sociedade. Veja se realmente é isto que você quer e vá em frente.”